Na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) realizada pela CNC/Fecomércio-PA, no mês de maio, 71,9% das famílias do Estado do Pará estavam endividadas. Isto significa que tinham efetuado compras por meio de parcelas a vencer. São prestações a serem pagas, em média, por pelo menos 6 meses mais à frente.
Inadimplência
Das 71,9% das famílias endividadas, 34,6% encontravam-se inadimplentes, ou seja, estavam com dívidas atrasadas por pelo menos 55 dias e dessas inadimplentes, 10,7% responderam na pesquisa que não teriam condições de pagar as dívidas atrasadas nos próximos meses.
Verificou-se um aumento na inadimplência com relação ao mesmo mês de 2015, cuja taxa também era significativamente expressiva (26,6%), assim como os que não tinham condições de quitar nos meses seguintes as parcelas atrasadas (9,5%).
O alto nível de endividamento (71,9%), a elevada taxa de inadimplência (34,6%), o percentual do orçamento doméstico comprometido com dívidas contraídas anteriormente (27,7%), comprometem as vendas futuras, que de janeiro a abril de 2016 já são negativas 9% em relação às realizadas no quadrimestre de 2015 e aquém das realizadas nos doze meses do ano de 2015, cujo desempenho do volume de vendas também foi negativo em 4,9%.
Crise e Efeitos
Todos esses indicadores, tanto de maio de 2016 quanto do mesmo mês do ano anterior, representam uma grande dificuldade para o comércio e expressam os problemas decorrentes dos equívocos da política econômica nacional e os efeitos da crise política, com reflexos sobre as economias estaduais. Por um lado, os consumidores estão inseguros com relação à manutenção de seus empregos e do padrão de renda familiar. De janeiro a abril de 2016, já foram desligados de seus empregos cerca de 12.504 empregados no Pará (dados do MTE-CAGED), além do aumento da inflação e das expressivas taxas de juros. Por outro lado, os empresários apresentam baixo nível de confiança na economia nacional, diante de um quadro em que está havendo redução na massa salarial, portanto menos disponibilidade da demanda. Além disso, 82,5% dos consumidores afirmaram em maio, que estão comprando menos que no mesmo mês do ano anterior (dados da Pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias – CNC/Fecomércio-PA).
Principais Tipos de Dívidas e o Crédito Consignado
As dificuldades da demanda com decréscimo na intenção de consumo para os próximos meses já identificadas na Pesquisa de Intenção de Consumo, comprometem as perspectivas de investimentos e de contratação de funcionários por parte dos empresários (índice de investimento: -2,5% e índice de contratação de novos funcionários: -3,1%). Ao mesmo tempo, pelo lado dos consumidores, dificultam a capacidade de pagamento das dívidas já contraídas. Por isso, os consumidores devem analisar o comprometimento do orçamento por longo período, sua capacidade de pagamento e pesquisar sobre as melhores modalidades de crédito ou financiamentos, considerando taxas cobradas nas operações de crédito, prazos, etc.
As dívidas que os consumidores dispõem atualmente foram contraídas no momento em que efetuaram compras parceladas utilizando diversas modalidades. As famílias consultadas afirmaram que os principais tipos de dívidas que tinham em maio de 2016 eram com: cartão de crédito (72,6%), carnês (25,3%), crédito pessoal (10,7%), crédito consignado (8,3%), financiamento de casa (3,1%), financiamento de carro (2,5%).
Crédito Consignado
No caso do crédito consignado, chama atenção a grande disparidade dos resultados por faixa salarial. Os consumidores com renda acima de 10 salários mínimos possuem mais dívidas sob esta modalidade (28,8%) do que os com renda inferior a dez salários (6,1%). Considerando que o crédito consignado é uma modalidade de empréstimo indireto que é deduzido diretamente da folha de pagamento, se torna muito mais difícil para os consumidores com renda abaixo de dez salários mínimos, pois para ter acesso é necessário ter um emprego formal e em estabelecimento que possua condições exigidas e façam opção para disponibilizar essa modalidade de empréstimo para seu funcionário.
Para as pessoas que já estão endividadas, o crédito consignado é importante para solucionar problemas imediatos, ao mesmo tempo em que as taxas de juros são relativamente mais baixas do que as de crédito pessoal e outras modalidades, visto que o risco de inadimplência é menor, mas não pode fazer parte da rotina de um assalariado ou aposentado, tornando-se um risco e não deve ser um estímulo para o consumo sem planejamento. Por isso, é importante para as empresas que concedem este tipo de empréstimo, estabelecer um Programa de Educação Financeira para seus funcionários.
Lúcia Cristina Lisboa / Assessoria Econômica Fecomércio-PA