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Crise fecha vagas de emprego no comércio do Pará

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Crise fecha vagas de emprego no comércio do Pará

15/06/2015 00:00:00

O mercado de trabalho no comércio, principal gerador de emprego no Pará, tem seu pior momento desde 2008, quando a crise financeira internacional causou sérios prejuízos aos empresários desse segmento.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do primeiro trimestre deste ano, indicam que o comércio do Estado teve redução de 0,9% no volume de vendas. Por causa do mau desempenho deste início de ano, os empresários fazem sacrifícios: cortes nos investimentos e o enxugamento do quadro. 

Nos primeiros quatro meses  do ano, o comércio paraense fechou 1.604 postos de trabalho, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), estratificados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos no Pará (Dieese-PA). Com este resultado, o setor - que, conjuntamente com os serviços, tem o maior peso no Produto Interno Bruto (PIB) da capital - teve uma retração de 0,75% na geração de empregos, quando comparado ao primeiro quadrimestre do ano passado. Esse é um cenário  que ainda pode piorar.

De acordo com o supervisor técnico do Dieese-PA, Roberto Sena, abril é tradicionalmente negativo para o emprego no comércio. Este ano, porém, os indicadores bateram recordes negativos.  “No mesmo período do ano passado, o comércio paraense também apresentou perda de empregos formais, só que em quantitativo bem menor que o verificado este ano. Foram feitas, naquele período, 31.879 admissões contra 32.161 desligamentos, gerando um saldo negativo de 282 postos de trabalhos”, informa. 

Este ano, o varejo paraense apresentou queda de 1,16% na geração de empregos formais, com 24.977 admissões contra 27.068 desligamentos, com saldo negativo de 2.091 postos de trabalhos. No atacado, também no primeiro quadrimestre deste ano, houve um crescimento de 1,41% na geração de empregos formais, com 5.531 admissões contra 5.044 desligamentos, gerando saldo positivo de 487 oportunidades de trabalhos. 

“A queda é uma tendência corriqueira em todo o país. Somente na região Norte, a grande maioria dos Estados apresentou saldo negativo na abertura de empregos formais no comparativo entre admitidos e desligados”, conta Roberto Sena. Pelos dados do Dieese-PA, foram fechadas 6.659 vagas entre janeiro e abril deste ano.

Para o presidente da Federação do Comércio do Estado do Pará (Fecomércio-PA), Sebastião Campos, a principal justificativa para as demissões é a expectativa de recessão na economia brasileira, a partir de medidas  equivocadas adotadas pelo governo federal. “O programa de ajuste fiscal do governo vem criando um sistema recessivo na economia. A própria mudança nas taxas de juros, com o aumento da taxa Selic, é um fator preponderante. Somado a isso, temos a desaceleração na economia de países que têm fortes relações comerciais com o Brasil, como é o caso da China e dos Estados Unidos, gerando a redução nas exportações do país”, avalia. 

Campos diz que, no Pará, o cenário não é pior que o no restante do Brasil e o Estado terá como sair da crise sem grandes arranhões. “Agora, o volume de vendas sofreu um arrefecimento, e isso precisa, de alguma forma, ser compensado pelo comércio”, justifica. Para o presidente da Federação dos Trabalhadores no Comércio e Serviços dos Estados do Pará e Amapá (Fetracon-PA), José Francisco, a política adotada pelo governo federal de elevar os juros é a causa da perda de empregos no setor. “O Brasil não tem um projeto desenvolvimentista, e por conta disso, os primeiros impactos de uma economia fragilizada são nos empregos em setores importantes como o comércio, o de serviços e a construção civil”, pondera. 

Para ele, é preciso, urgentemente, reaquecer os demais setores da economia, para que a liquidez movimente o mercado. “Nosso maior termômetro, em Belém, é a construção civil. Quando o desemprego bate lá, sentimos o efeito imediatamente no comércio, já que os operários são grandes compradores do setor. Ou seja, há uma reação em cadeia, que, aliás, muito nos preocupa”, assevera.

Para José Francisco, há outras formas de reduzir os gastos sem cortar empregos. “Embora não seja o culpado, o trabalhador é sempre quem paga o pato”, comenta. Para o sindicalista, o cenário negativo deve mudar a partir do segundo semestre. “A tendência, agora, é o equilíbrio, mas vamos depender das políticas implementadas do governo federal. No caso do Pará, as construções de supermercados e shoppings continuam a todo vapor, ou seja, vagas, nós vamos ter”, acrescenta.

E foi justamente por conta da crise financeira que a comerciária Emile Marques, 24 anos, perdeu o emprego no mês passado. A empresa na qual atuava precisou enxugar a folha de pagamentos. Ela e vários colegas foram demitidos. “Sabemos que a situação do país é delicada, e que várias pessoas perderam seus postos de trabalho por conta dessa dificuldade. Agora, estou buscando me reinserir no mercado profissional, e fazendo alguns cursos”, acrescenta. 

Uma opção é deixar o Estado no ano que vem. “Preciso estudar mais, conhecer novas ferramentas na área comercial e abrir novos horizontes. Acho fundamentalmente importante a reciclagem profissional, até para voltar mais forte ao mercado”, completa Emile , que também pensa em trocara de ramo. “Todas as áreas estão passando por um momento delicado, ou seja, quem tiver mais habilidades tem maior chance de segurar sua vaga”, aponta.

Fonte: ORM