O ministro chefe de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Roberto Mangabeira Unger, esteve hoje em Belém participando de um bate papo informal com empresários e dirigentes de entidades de classe na sede da Associação Comercial do Pará. O evento foi uma iniciativa da Associação Comercial do Pará (ACP), Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Pará (Faciapa) e da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo no Estado do Pará (Fecomércio-PA).
Além do presidente Sebastião Campos, a Fecomércio-PA esteve representada pelo superintendente da entidade, Walmyr Santos e pela assessora econômica, Lúcia Cristina Lisboa. A abertura foi feita pelo presidente da ACP, Fábio Lúcio Costa e seguida pela fala do ministro Mangabeira Unger, que durante seu discurso, falou sobre os aspectos econômicos, sobre a infraestrutura e sobre as estratégias de desenvolvimento do Governo Federal para a Amazônia. Segundo o ministro, o último período histórico na Amazônia seguiu um único modelo de desenvolvimento, baseado na produção, exportação e massificação do consumo. “Esse modelo de desenvolvimento foi possível pelo aumento da renda popular, que conseguiu resgatar milhões de brasileiros da pobreza extrema e permitiu o surgimento de uma segunda classe média empreendedora. Porém, esse modelo que seguimos até o momento apresenta sinais de fragilidade. Esse modelo não resolveu o problema da produtividade”.
Outro tema destacado pelo chefe de Assuntos Estratégicos do poder executivo é o atual ajuste fiscal defendido pelo governo, que de acordo com o ministro, não faz parte da agenda nacional. “O ajuste fiscal é apenas uma preliminar, embora indispensável para uma agenda estratégica de desenvolvimento baseado em outro modelo. Esse outro modelo deve basear-se na ampliação de capacitações educacionais e de oportunidades produtivas, portanto, deve haver uma democratização da economia do lado da oferta e não apenas da demanda. Para isso, é preciso fazer o que raramente fizemos em nossa história nacional, que é inovar as instituições. Dinheiro só não basta”, enfatizou.
O presidente da ACP, Fábio Lúcio Costa, entregou um documento em que destaca algumas pautas prioritárias do setor produtivo paraense e pediu o apoio institucional do poder executivo para avançar em demandas como o Pedral do Lourenço, a construção da ferrovia estadual, a discussão em torno da Lei Kandir e outros temas que ajudem no escoamento da produção e interligue a região Norte aos grandes centros do País. Posteriormente o presidente da Fecomércio-PA, Sebastião Campos, cobrou maior participação do Governo Federal em investimentos nas áreas de ensino técnico e profissionalizante. “Nós temos visto que o governo não tem dado a atenção especial para o ensino técnico. Nós investimos um valor muito grande no Senac Pará, porém nós não temos tido uma resposta em razão ao que nós investimos e nem retorno do governo com relação ao ensino técnico”.
Mangabeira Unger finalizou dizendo que a qualificação e o ensino básico são prioridades do governo. “A qualificação e o ensino básico são projetos que ocupam hoje a maior parte do meu tempo. As restrições que nós vivemos hoje são de curto prazo”, minimizou o ministro.
Texto: Adriano Abbade
Fotos: Tommy Souza / ACP
Cecom Fecomércio-PA