Inflação, endividamento e inadimplência reduzem intenção de consumo e impactam as vendas futuras
Na análise da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela Fecomércio-PA, observa-se que o nível de endividamento dos consumidores paraenses aumentou no mês de março 2015 em relação a fevereiro de 2015, quando as taxas ficaram em 64,5% e 61,90%, respectivamente, mas mantém tendência de queda na comparação com o março 2014, quando a taxa registrou 67%. O mesmo ocorreu na média do Brasil (taxa de endividados 59,6% em março ante 57,8% no mês anterior). Entretanto, alguns resultados evidenciam as dificuldades do atual cenário econômico com reflexos para as empresas e para os consumidores. Cresceu o percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso, que já estava alto (de 19,50% em fevereiro para 21% em março), bem como as taxas dos que não tinham condições de pagar (6,90% em março e 5,90% em fevereiro) e a parcela da renda comprometida com dívidas futuras 27,5%.
A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) registrou queda de -2.4% em relação ao mês de fevereiro. Para a média do Brasil, este decréscimo foi de – 6,1%. Isto significa que os consumidores pretendem comprar menos do que estão comprando atualmente.
O aumento dos preços tem influência direta sobre o decréscimo na intenção de consumo das famílias. A inflação oficial mensurada pelo IPCA para os últimos 12 meses foi de 7,7%, reflexos de aumentos em diversos índices de consumo como gasolina, energia, elétrica, etc. Essas majorações nos preços provocam alterações nas decisões de compras dos consumidores com substituição de produtos e redução nas compras.
O volume de vendas do comércio varejista no Pará em janeiro já havia decrescido - 1,9% (PMC/IBGE) e as perspectivas de aumento nas vendas futuras são remotas, dado que 64,50% dos consumidores estão endividados e estes estão com dívidas a pagar, em média, por pelo menos quase 5 meses a frente e já comprometeram 27,50% de suas dívidas e 21% estão com dívidas atrasadas, além do nível de emprego que também está em queda. O número de empregos formais celetistas (CAGED-MTE) no total das atividades no estado e no comércio reduziu em 0,65% e 0,15 % em fevereiro.
Estes resultados e o cenário atual de fragilidade dos fundamentos macroeconômicos da economia nacional, como alta da inflação, taxas de juros elevadas, etc. explicam, em grande parte, o porquê da redução na intenção de consumo e a consequente perspectiva de diminuição nas vendas futuras.
Fonte: Fecomércio-PA