“Pesquisa Fecomércio-PA/CNC revela redução no endividamento mas aumento no percentual de contas em atraso no mês de fevereiro, com relação a janeiro de 2015”.
O estudo elaborado pela Fecomércio-PA a partir dos dados extraídos da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) realizada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), demonstraram que no mês de janeiro de 2015 cerca de 67,8% dos consumidores tinham dívidas a pagar. Em fevereiro de 2015 o nível de endividamento decresceu para 61,9%.
A taxa de endividamento em janeiro de 2015 foi inferior ao registrado em dezembro de 2014 e 2013, quando 76,3% e 72,3% dos consumidores estavam endividados, respectivamente. O endividamento em fevereiro de 2015 foi de 61,9%, índice menor que o ocorrido em fevereiro de 2014, mês em que a taxa ficou em 69,4%.
Endividamento por Faixa de Renda
Em fevereiro, na desagregação por faixa de renda, os consumidores com renda acima de 10 salários mínimos (67,8%) apresentaram níveis de endividamento superiores aos que possuíam renda até 10 salários míninos (61,3%). Decresceram as taxas de endividamento nas duas faixas de renda em relação ao mês de janeiro de 2015 e ao mesmo mês do ano anterior.
Contas e Atraso
Em fevereiro de 2015 houve aumento na inadimplência com relação ao mês de janeiro de 2015. Os que estavam inadimplentes no primeiro mês de 2015 eram 14,3% e em fevereiro esta taxa subiu para 19,5%.
Na desagregação por faixa de renda, observou-se que as famílias com mais de 10 salários mínimos possuíam mais contas atrasadas do que as com rendimentos superiores a 10 salários mínimos, sendo que no mês de janeiro de 2015 a inadimplência por faixa de renda era próxima de 10 salários mínimos: 14,5% e acima de 10 salários mínimo: 11,8%, enquanto que em fevereiro de 2015 houve uma discrepância grande entre as faixas de renda. Em fevereiro, (até 10 salários mínimos: 20,8% e acima de 10 salários mínimos: 6,7%) pode ser um indicativo de dificuldades em razão do mês de janeiro ser um mês no qual estão concentradas muitas despesas extras como as relacionadas à educação, habitação, etc. além dos aumentos em diversos produtos e serviços. E no mês de fevereiro por ter sido registrado elevado percentual de contas em atraso pelas dificuldades de pagamento no mês anterior. Geralmente as famílias de maior rendimento têm outras formas de financiar suas próprias dívidas.
Devido ao alto nível de endividamento, as pesquisas revelaram que já em janeiro, 27,1% do orçamento das famílias estavam comprometidos com dívidas a pagar contraídas anteriormente e que estas dívidas ainda perdurariam por 4,7 meses, segundo dados de janeiro e 5,3 meses a partir de fevereiro em diante. Ou seja, neste último mês contraíram novas dívidas e comprometeram 26,4% da renda disponível.
Tanto no mês de janeiro como em fevereiro de 2015, o cartão de crédito tem sido a modalidade principal utilizada para financiar as compras a prazo (82,6%). Além do cartão de crédito, os consumidores têm contraído dívidas por meio de: carnês (31,0%); crédito pessoal (19,0%), crédito consignado (6,3%), financiamento de carro (2,9%); financiamento de casa (2,5%) e outros. Tem sido reduzida a utilização de cheques pré datados para compras a prazo (0,8%) e pelos dados da PEIC de fevereiro de 2015 não foram registradas informações do uso de cheque pré datado pelas famílias com renda superior a 10 salários mínimos.
De modo geral, a alta da inflação e o cenário de desaceleração da economia brasileira tiveram forte impacto sobre todas as atividades econômicas e os consumidores sofreram consequências com queda do poder aquisitivo e dificuldades para pagar as dívidas contraídas anteriormente. O endividamento das famílias, por meio das compras a prazo ficou mais onerosos, com impacto na renda disponível, reduzindo o consumo. Se não forem adotadas medidas de política econômica que possam conter o processo inflacionário, a expectativa de vendas para 2015 será menor do que o movimento ocorrido no ano de 2014.