A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC - CNC/Fecomércio PA) registrou no mês de outubro de 2019, taxa de 60,6% de famílias endividadas no Pará. Quando comparada com o mesmo mês do ano anterior, observa-se uma elevação de 6 pontos percentuais, já que em outubro de 2018 o percentual de endividados foi de 54,6%. Em relação ao mês anterior, houve uma leve evolução, de 60,2% em setembro de 2019 para 60,6%.
Esse aumento no endividamento em outubro de 2019 na comparação com outubro de 2018 se explica, em parte, em função do comportamento do consumidor, que de maneira mais intensa realizou compras utilizando mais a opção parcelada ou efetuou empréstimos ou contraiu financiamentos.
A elevação na comparação anual da taxa de endividamento sinaliza correlação com o comportamento das vendas, dado que se constatou evolução no volume de vendas do comércio varejista ampliado, que nos oito primeiros meses de 2019, estão superiores em 4,8% (PMC-IBGE) às vendas realizadas no mesmo período de 2018, confirmando-se o aquecimento na demanda em 2019, porém, sinalizando aquisição por meio da utilização de crédito.
Apesar das taxas elevadas, os dados de inadimplência são melhores em 2019 do que a situação em 2018. Os que responderam estar com contas atrasadas em outubro de 2019 foram 21,2% e, no anterior, os que mencionaram se encontrar nessa situação eram 28,1%. Entre setembro de 2019 e outubro de 2019 constatou-se aumento de um ponto percentual na inadimplência. Também houve redução nos percentuais dos que disseram não possuir condições de colocar em dia as contas em atraso nos próximos 30 dias: 12,6% no mês em análise e 15% em outubro de 2018.
Ainda como movimento positivo no indicador, observou-se que a parcela da renda das famílias comprometidas com dívidas já contraídas em outubro de 2019 está menor que no mesmo mês de 2018: 23,5% em outubro de 2019 e 28,9% em outubro de 2018. Portanto, atualmente os consumidores comprometeram menos percentuais de seus rendimentos mensais do que é considerado como limite prudencial (30%), o que significa que há alguma margem para novas compras, todavia, a decisão depende de outros fatores, como planejamento individual, por exemplo.
Estratificando o endividamento por faixa de renda, os mais endividados são os que possuem rendimentos acima de dez salários mínimos (69%) e as famílias com renda abaixo desta faixa apresentaram taxa de 59,7%, isto porque o acesso ao crédito é mais difícil para estes últimos, todavia, ainda assim, do total de dívidas 75% são no cartão de crédito. Os que possuem alto nível de inadimplência são os que se encontram com renda de até dez salários mínimos (22,4%). Isto se deve, em parte, a maior facilidade que as famílias com rendas mais elevadas têm para negociar outras formas de quitar ou remanejar as dívidas, além de sustentabilidade quanto às fontes de renda.
Principais tipos de dívidas
Entre os principais tipos de dívidas encontram-se cartão de crédito (75%), crédito pessoal (17,4%), carnês (11,8%), crédito consignado (4,1%), cheque especial (2,8%) e outras.
Há expectativas positivas pelo lado do empresário e também para os consumidores, pois os recursos extras decorrentes da liberação do FGTS que já foram recebidos e os que ainda vão receber e a injeção do volume monetário decorrente do 13º salário que ocorrerá, embora não sejam soluções resolutivas, já amenizaram e vão contribuir mais ainda para que parte dos consumidores possam reduzir as dívidas e, em consequência, criar possibilidades de novas compras, ou seja, tendência de incremento no volume de vendas do varejo.
A inflação sob controle também influencia no comportamento da demanda por produtos e serviços, assim como a redução da taxa básica de juros (Selic) que está no mais baixo nível histórico, embora ainda elevada na ponta, ou seja, para o crédito ao consumidor as taxas no mercado são praticadas em grandes magnitudes, todavia na comparação com os anos anteriores observou-se um declínio. Tanto as pessoas físicas quanto as jurídicas aguardam que essa redução da Selic tenha efeito significativo sobre as reais taxas de juros cobradas na obtenção de crédito, empréstimo, financiamento, etc.
Lúcia Cristina Lisboa / Assessoria Econômica